
O Comando Central dos Estados Unidos (Centcom), responsável pelas operações militares americanas no Oriente Médio, anunciou nesta quinta-feira (7) que atacou instalações militares do Irã após forças iranianas lançarem mísseis, drones e enviarem pequenas embarcações contra três destróieres da Marinha dos EUA durante a passagem pelo Estreito de Ormuz. Segundo o Centcom, nenhum ativo americano foi atingido na ação do Irã.
De acordo com o comunicado divulgado pelo comando americano na rede social X, os destróieres USS Truxtun, USS Rafael Peralta e USS Mason atravessavam a passagem marítima internacional em direção ao golfo de Omã quando foram alvo da ofensiva iraniana.
O Centcom afirmou que as forças dos EUA interceptaram os ataques e responderam com ações de autodefesa. Conforme o comando, as ameaças lançadas contra os navios americanos foram eliminadas antes de atingirem os alvos.
Na resposta militar, os EUA miraram estruturas iranianas que, segundo o Centcom, estavam ligadas ao ataque contra as forças americanas. Entre os alvos citados pelo comando estão pontos de lançamento de mísseis e drones, locais de comando e controle e estruturas de inteligência, vigilância e reconhecimento.
“Os EUA não buscam escalada, mas permanecem posicionados e prontos para proteger as forças americanas”, afirmou o comando em nota.
O episódio ocorre em meio ao tenso cessar-fogo indefinido entre EUA, Israel e Irã, iniciado em 7 de abril. O Ormuz é a rota estratégica para o comércio global de energia e é o principal foco da atual disputa militar iniciada em 28 de fevereiro.
A ofensiva iraniana desta quinta ocorreu um dia depois de forças americanas dispararem contra o leme de um petroleiro iraniano que, segundo o Centcom, tentava furar o bloqueio naval mantido pelos EUA aos portos de Teerã. Na ocasião, o alvo foi o M/T Hasna, um petroleiro vazio de bandeira iraniana que seguia em direção a um porto do Irã.
Segundo o comando americano, a tripulação do Hasna ignorou avisos repetidos de que a embarcação violava o bloqueio. Em resposta, forças dos EUA imobilizaram o leme do navio com disparos feitos por um caça F/A-18 Super Hornet lançado do porta-aviões USS Abraham Lincoln.
A sequência de incidentes ocorre em meio a sinais contraditórios nas negociações diplomáticas em curso. Na quarta-feira (6), o presidente Donald Trump afirmou na Truth Social que a guerra poderá terminar caso o Irã aceite os termos em discussão com os Estados Unidos e Israel. Ao mesmo tempo, advertiu que, se não houver acordo, os bombardeios americanos serão retomados em “um nível e intensidade muito maiores do que antes”.
Também na quarta-feira, autoridades iranianas negaram que um acordo para o fim da guerra estivesse próximo. Segundo a agência estatal iraniana Tasnim, uma fonte do regime afirmou que os americanos incluíram pontos “inaceitáveis” na proposta enviada a Teerã. Já o porta-voz da Comissão de Segurança Nacional e Política Externa do Parlamento iraniano, Ebrahim Rezaei, disse no X que Teerã está com “o dedo no gatilho e preparado” para a retomada da guerra.
O bloqueio naval americano contra embarcações ligadas ao Irã segue em vigor. Trump suspendeu temporariamente, contudo, o Projeto Liberdade, operação lançada na segunda (4) pela qual forças dos EUA escoltavam navios comerciais no Estreito de Ormuz.
Irã diz que EUA violou o cessar-fogo em vigor
O regime do Irã, por sua vez, confirmou o ataque aos navios dos EUA e disse que os americanos violaram o cessar-fogo em vigor ao atacar o petroleiro iraniano e mais outra embarcação do país nesta quarta.
Segundo comunicado do Exército do Irã citado pela agência estatal Tasnim, uma das embarcações seguia em direção ao Ormuz na região de Jask, enquanto a outra atravessava a passagem perto do porto de Fujairah, nos Emirados Árabes Unidos.
















