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Campo Grande/MS: Prefeitura inicia ação Inverno Acolhedor para pessoas em situação de rua no Parque Ayrton Senna.

Campo Grande (MS) — A queda brusca das temperaturas em Campo Grande coloca em evidência, a partir deste sábado (09), o início da ação Inverno Acolhedor pela Prefeitura. Prevista para atravessar o fim de semana mais gelado do ano, com termômetros podendo marcar apenas 9°C no domingo (10), a iniciativa foca principalmente no socorro a pessoas em situação de rua, promovendo acolhimento emergencial no Parque Ayrton Senna, no bairro Aero Rancho.

O atendimento começou às 18h deste sábado e oferece pernoite solidário tanto no sábado (09) quanto no domingo (10). Vale destacar que a continuidade da ação segue condicionada às previsões climáticas, que vêm sendo atualizadas quase que diariamente por órgãos oficiais, devido ao cenário atípico das massas de ar polar que avançam pela Região Centro-Oeste nesta transição de estações.

Os serviços oferecidos no Parque Ayrton Senna surpreendem pela variedade: há espaço coberto e aquecido para os abrigados, além de colchões, lençóis, cobertores, jantar, água e até atendimento especial das equipes de saúde, que atuam em conjunto com assistentes sociais do município. Animais de estimação dos acolhidos também são respeitados, com distribuição de ração e cobertores específicos — um diferencial que ganha destaque em relação a ações em cidades vizinhas, como Dourados e Três Lagoas, que costumam limitar-se ao atendimento humano.

Como funciona a assistência às pessoas em situação de rua em Campo Grande?

No domingo pela manhã, quem passar a noite no abrigo emergencial será levado até a Unidade de Acolhimento Institucional para Adultos e Famílias (UAIFA I), localizada no bairro Amambaí. Lá, além de receberem café da manhã, as pessoas podem permanecer durante o dia, aproveitando o convívio em grupo e assistência ampliada, de acordo com as diretrizes do serviço socioassistencial do município.

Já na segunda-feira (11), o café será distribuído no Centro de Referência Especializado para População em Situação de Rua — o Centro POP, que opera de segunda a sexta-feira, das 7h às 17h, na Rua Joel Dibo, 255, região central. No local, os assistidos podem usufruir não apenas de alimentação, mas também de banho, lavanderia, guarda de pertences, apoio para regularização de documentos e atendimento psicossocial, reconhecidos como etapas fundamentais para resgate da autonomia e reinserção social.

Por que a ação Inverno Acolhedor ganha relevância em Mato Grosso do Sul?

Campo Grande ocupa posição de destaque em Mato Grosso do Sul ao enfrentar episódios de frio extremo nos meses de junho e julho, devido à sua altitude e ao posicionamento geográfico. O ano de 2024 marca, inclusive, uma das frentes frias mais agressivas já registradas na capital sul-mato-grossense, com sensação térmica podendo se aproximar dos 5°C em algumas madrugadas. Segundo dados das equipes da prefeitura, cerca de 400 pessoas vivem atualmente em situação de rua na capital, número que representa um desafio constante para políticas públicas e mobiliza ações como a Inverno Acolhedor.

Em comparação com cidades do interior do estado, como Corumbá e Ponta Porã, a capital lidera programas de acolhimento sazonal, mantendo centros de apoio abertos por mais tempo e com infraestrutura diferenciada. Desde 2022, o município intensificou campanhas para arrecadação de agasalhos e contratação de equipes de abordagem, alinhando suas estratégias com outros grandes centros urbanos do Centro-Oeste. Por isso, o Inverno Acolhedor acaba se tornando referência regional para a proteção de vulneráveis diante das baixas temperaturas.

Ainda de acordo com a secretaria municipal de assistência social, entre 2019 e 2023 o número de encaminhamentos para abrigos cresceu 28%, indicativo das dificuldades sociais e do aumento de pessoas desabrigadas, fenômeno comum também em outras capitais da região, mas tratado com estrutura inferior à disponibilizada por Campo Grande nestas ações juninas.

Como a mobilização das equipes de abordagem faz a diferença em Campo Grande?

Durante o período de frio mais intenso, o Serviço Especializado em Abordagem Social (SEAS) intensifica o patrulhamento em ruas, praças e áreas públicas. As equipes são compostas por assistentes sociais, psicólogos e agentes de saúde, que distribuem cobertores, identificam pessoas em situação de risco e convidam para o acolhimento emergencial. Só na noite de estreia da ação, mais de 80 abordagens foram realizadas nos arredores da Avenida Gury Marques e da região central, pontos de maior concentração de desabrigados.

Caso as pessoas se recusem a ir ao abrigo, a equipe do SEAS orienta sobre os riscos da exposição prolongada ao frio e mantêm acompanhamento, reforçando a oferta de cobertores e alimentos em pontos estratégicos. O canal de atendimento telefônico (67) 99660-6539 segue aberto para moradores, comerciantes ou motoristas que desejarem acionar as equipes ao presenciarem alguém em situação de vulnerabilidade extrema. Segundo relatos de profissionais, o trabalho de campo é determinante para evitar casos graves de hipotermia e salvar vidas de quem não tem onde dormir em Campo Grande.

Quais serviços complementam o acolhimento a pessoas vulneráveis na capital sul-mato-grossense?

Os abrigos provisórios não só oferecem proteção imediata do frio, mas também funcionam como porta de entrada para outros programas sociais do município, como cadastro em programas de moradia e intermediação de vagas de trabalho. Na segunda-feira, equipes do Centro POP devem expandir as orientações sobre oportunidades no mercado formal, inclusão em cursos de capacitação promovidos pelo próprio município e apoio no acesso a benefícios do governo federal, numa tentativa consistente de romper o ciclo da vulnerabilidade.

O complexo sistema de assistência também engloba parcerias com organizações religiosas e movimentos voluntários de apoio social, que realizam distribuição de refeições, roupas e kits de higiene — aliados importantes do trabalho oficial, sobretudo em bairros periféricos como Moreninhas e Rita Vieira. A perspectiva para 2024, segundo a Secretaria Municipal de Assistência Social, é ampliar pontos de atendimento e consolidar a integração entre as diferentes frentes de suporte emergencial, regionalizando as respostas e reduzindo deslocamentos de pessoas vulneráveis.

Vale lembrar que informações e pedidos de atendimento podem ser feitos também pelo número (67) 99660-1469, e que a divulgação desse serviço tem sido reforçada em rádios comunitárias, redes sociais e por meio de ações de rua, de modo a aumentar o alcance em toda a cidade.

Como a população pode participar ou acionar o serviço de acolhimento em Campo Grande?

Qualquer cidadão pode contribuir com o Inverno Acolhedor comunicando situações de risco para os números oficiais, principalmente quando identificar, durante a noite ou madrugada, pessoas dormindo em praças, calçadas ou abrigos improvisados em regiões desabitadas. O município destaca que a adesão pode ser voluntária — ninguém é obrigado a aceitar o acolhimento, mas o contato das equipes pode ser decisivo para garantir que vidas não sejam perdidas por conta do frio intenso.

Além disso, associações de bairro, grupos de igrejas e estabelecimentos comerciais têm sido convidados a colaborar com a campanha de arrecadação de agasalhos, cobertores e alimentos, ajudando a suprir demandas emergenciais. A prefeitura disponibiliza pontos de coleta em secretarias regionais, escolas municipais e unidades de saúde, facilitando a participação dos moradores de diferentes bairros.

Por que a situação das pessoas em situação de rua preocupa Campo Grande em 2024?

Entre os fatores que agravam o contexto deste ano está o aumento da população vulnerável, impactada pelas consequências econômicas da pandemia e pelas dificuldades de acesso à moradia regular. Segundo organizações não governamentais atuantes na cidade, programas como o Inverno Acolhedor se apresentam como resposta temporária, mas essencial, para evitar tragédias, sobretudo em anos de frio recorde.

Comparado a outros grandes centros do Mato Grosso do Sul, Campo Grande lidera índices de atendimento social, investindo em expansão e diversificação de abrigos. No entanto, ainda há desafios: muitos acolhidos recusam o pernoite coletivo por traumas, medo de violência ou pela própria dinâmica das ruas. Autoridades e voluntários reforçam que a humanização das abordagens é o caminho mais eficaz para garantir proteção sem violar a autonomia das pessoas, seguindo tendências observadas em cidades como São Paulo e Porto Alegre.

A pauta volta ao debate público principalmente durante ondas de frio, mas permanece como preocupação ao longo do ano em Campo Grande, devido à circulação constante de migrantes e à falta de moradia digna para parcela significativa da população.

Quais são as perspectivas para os próximos dias em Campo Grande durante o frio?

A expectativa é que, caso as baixas temperaturas persistam após o domingo, a prefeitura possa ampliar os dias de atendimento noturno, mantendo a estrutura do Parque Ayrton Senna e, se necessário, ativando novos pontos de acolhimento em bairros de maior vulnerabilidade. O monitoramento da previsão do tempo será fundamental para a tomada de decisão na segunda-feira, segundo responsáveis pela execução do Inverno Acolhedor.

No horizonte, o município avalia a possibilidade de criar postos permanentes, especialmente em regiões nas quais a população de rua permanece mais concentrada. Para os próximos dias, a ordem é manter o engajamento, evitar improvisações e garantir que as políticas públicas cumpram seu papel protetivo. Famílias que desejem fazer doações podem procurar os canais oficiais ou dirigir-se até os pontos de arrecadação, participando ativamente do esforço coletivo para atravessar o inverno com dignidade para todos.

Informações sobre a continuidade do projeto, abertura de novos abrigos e resultados de atendimentos serão divulgadas nas redes e canais oficiais do município, mantendo a população informada sobre cada etapa da ação.

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