
A longa controvérsia sobre a substituição de seis vitrais do século XIX na Catedral de Notre-Dame de Paris parece estar entrando em uma nova — e potencialmente decisiva — fase.
Em 20 de abril, a autorização para remover e substituir os vitrais de uma das capelas do sul da nave, projetados sob Eugène Viollet-le-Duc, o arquiteto responsável pela icônica torre da Notre-Dame, foi publicamente afixada nas grades da catedral, provocando uma resposta jurídica quase imediata.
O grupo de preservação patrimonial Sites et Monuments, que assistiu impotente enquanto andaimes eram erguidos em 27 de abril, anunciou que entraria com um recurso legal urgente no Tribunal Administrativo de Paris visando a própria autorização.
O plano de substituir esses vitrais por criações contemporâneas da artista francesa Claire Tabouret — revelado ao público no Grand Palais no final do ano passado — tem atraído uma oposição incomumente ampla nos últimos dois anos, desde especialistas em patrimônio até figuras católicas.
Principais objeções ao projeto
Entre os principais argumentos contra o projeto está o fato de que os vitrais de Viollet-le-Duc pertencem à restauração da catedral do século XIX e que a introdução de obras contemporâneas na nave perturbaria seu equilíbrio. Os designs propostos foram criticados como excessivamente figurativos para a nave.
Para muitos, remover vitrais que sobreviveram ao incêndio de 2019 — e que desde então foram limpos e restaurados — vai contra a lógica da própria restauração. Os críticos também apontam o custo estimado do projeto, cerca de 4 milhões de euros (aproximadamente 22 milhões de reais), como desproporcional, considerando as necessidades patrimoniais mais amplas.
O projeto também enfrentou oposição da Comissão Nacional de Patrimônio e Arquitetura da França, que emitiu parecer negativo em julho de 2024.
Para o presidente do Sites et Monuments, Julien Lacaze, a questão toca o cerne da proteção patrimonial. A questão é se os vitrais de Viollet-le-Duc que devem ser removidos têm valor artístico e histórico ou não, disse ele em entrevista ao jornal católico Famille Chrétienne.
Viollet-le-Duc não foi simplesmente um restaurador; ele foi um criador no sentido pleno. O que importa é sua visão da Idade Média e a liberdade com que a abordou.
A associação já havia entrado com uma ação judicial anterior no ano passado, contestando a autoridade do órgão público que supervisiona a restauração de Notre-Dame para remover os vitrais. Esse caso ainda está em apelação, enquanto a nova ação vai diretamente à substância da decisão. Para apoiar seus esforços legais, o Sites et Monuments também lançou uma campanha de financiamento coletivo.
Reação nacional sobre a troca dos vitrais e Macron
Além dos tribunais, a reação negativa continua a crescer em toda a França, com mais de 340 mil pessoas tendo assinado uma petição pedindo a preservação dos vitrais de Viollet-le-Duc.
A escala da oposição pública tem feito pouco para desacelerar o projeto, que muitos veem como um reflexo do desejo do presidente Emmanuel Macron de deixar uma marca contemporânea na catedral restaurada — uma visão já testada após o incêndio de 2019, quando sua proposta de substituir a torre por um design moderno foi finalmente deixada de lado após intensa controvérsia. Os críticos agora veem o projeto dos vitrais como uma tentativa renovada de deixar sua marca no monumento.
De forma mais ampla, a controvérsia aponta para uma divisão mais profunda sobre como o passado deve ser tratado — preservado como um todo herdado ou reinterpretado através de escolhas artísticas contemporâneas.
O que os defensores do projeto argumentam
Os defensores do projeto argumentam que monumentos históricos devem permanecer abertos a novas formas de expressão; Tabouret, que projetou os vitrais controversos em questão, alertou contra congelar um monumento no tempo.
Embora o arcebispo de Paris, Laurent Ulrich, tenha aprovado o projeto atual, uma posição ecoada por alguns dentro da Igreja que veem a arte contemporânea como uma expressão legítima dentro de monumentos históricos, a proposta não está desfrutando de apoio unânime nas fileiras católicas.
Uma das vozes mais contundentes nos últimos dias tem sido o padre Michel Viot, um sacerdote parisiense que convocou um protesto público pacífico. Em uma mensagem nas redes sociais, ele disse que os católicos em Paris, em toda a França e no exterior — particularmente aqueles que contribuíram para a restauração da catedral — deveriam ser avisados do dia em que as mãos forem colocadas nos vitrais.
Ele os instou a se reunir no local com terços, ou simplesmente para rezar ou protestar, tudo para exigir respeito à lei. Ele denunciou o que descreveu como uma decisão arbitrária e um ataque à beleza que, em suas palavras, serve a uma cultura da morte.
O fato de que as obras foram autorizadas apesar de repetidas opiniões negativas das autoridades patrimoniais reforçou a percepção de uma iniciativa de cima para baixo impulsionada principalmente por considerações políticas — uma percepção que desde então acendeu uma onda mais ampla de indignação nas redes sociais.
Por enquanto, todos os olhos se voltam para o tribunal administrativo, onde o destino do projeto pode em breve ser testado.
©2026 Catholic News Agency. Publicado com permissão. Original em inglês: Notre Dame Cathedral’s stained-glass dispute enters new legal phase https://www.ewtnnews.com/world/europe/notre-dame-cathedral-s-stained-glass-dispute-enters-new-legal-phase
















