Obras de restauração da Catedral de São Romualdo, na cidade belga de Mechelen, revelaram no subsolo do local os vestígios de uma Igreja perdida há séculos.
A descoberta arqueológica na Bélgica chamou a atenção de pesquisadores de toda a Europa. O que parecia ser uma simples reforma virou uma escavação que pode reescrever parte da história medieval do local.
Parede escondida pode reescrever a história da Catedral de São Romualdo
A catedral de Mechelen, conhecida oficialmente como Catedral de São Romualdo, é um dos monumentos góticos mais imponentes da Bélgica. Sua torre, que domina o horizonte da cidade, é patrimônio mundial da Unesco desde 1999.

Durante as obras de restauração na ala norte do edifício os arqueólogos se depararam com algo inesperado ao escavar abaixo do piso da casa do cabido – edifício que normalmente fica anexo a uma catedral é historicamente usado para as reuniões do cabido, grupo de sacerdotes responsáveis pela administração da catedral e pela liturgia do local.
Durante as escavações, a equipe encontrou camadas de entulho contendo cerâmica e materiais de construção dos séculos XVI e XVII, o que por si só já é indício de que o local havia passado por grandes reformas naquele período. Mas a descoberta mais relevante veio na sequência.
Nas camadas mais profundas, surgiu outra parede posicionada em um ângulo distinto em relação às outras estruturas do local – sinal de que pertence a uma construção anterior.
Essa parede é a peça-chave da hipótese que está animando os arqueólogos: a de que existia, no local, uma igreja românica anterior à catedral atual. Ou seja, a catedral de São Romualdo pode ter sido erguida sobre os alicerces de uma edificação religiosa ainda mais antiga. Sendo uma igreja medieval perdida, encoberta pelo tempo e por sucessivas reformas.
Construir sobre o sagrado era uma prática comum na Idade Média
Não é incomum que grandes catedrais europeias escondam construções anteriores em seu subsolo. Durante a Idade Média, era prática recorrente erguer novas igrejas sobre o mesmo terreno sagrado de edifícios religiosos mais antigos.
Isso acontecia por razões práticas, já que o solo já era consagrado, mas também por uma questão de continuidade espiritual e de afirmação do poder da Igreja no território.

No caso de Mechelen, a catedral atual tem suas origens no século XIII, mas a cidade já era um centro religioso importante antes disso. A hipótese de uma igreja românica no local é, portanto, perfeitamente plausível dentro do contexto histórico da região.
Arqueólogos ainda investigam a origem da estrutura encontrada
As escavações fazem parte de um projeto de restauração de longo prazo. Cada intervenção, por mais cuidadosa que seja, pode revelar novas camadas. Os estudos e análises da recente igreja descoberta ainda estão em andamento e devem confirmar ou refinar a hipótese da igreja românica.
O achado arqueológico da Igreja antiga em Mechelen já é considerado um dos mais relevantes da região nos últimos anos e pode trazer novas informações sobre como o cristianismo medieval se organizava e se fixava no território que hoje é a Bélgica.
Por ora, a catedral de São Romualdo guarda mais segredos do que se imaginava. E cada caminho aberto pelos arqueólogos aponta para uma história que ainda está sendo escrita. Ou melhor, desenterrada.
















