
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou em publicação feita nesta terça-feira (5) em sua rede social, a Truth Social, que alcançou avanços nas conversas com o Irã e que, em razão disso, de pedidos do Paquistão e de outros países, e dos sucessos militares americanos na guerra contra os iranianos, suspenderá temporariamente o chamado “Projeto Liberdade” – operação militar destinada a escoltar navios comerciais pelo Estreito de Ormuz, rota estratégica do petróleo bloqueada pelo regime de Teerã desde o começo da guerra em fevereiro.
Segundo o Trump, o bloqueio naval americano a portos iranianos, contudo, segue em vigor.
“Com base no pedido do Paquistão e de outros países, no tremendo sucesso militar que tivemos durante a campanha contra o país do Irã e, adicionalmente, no fato de que grande progresso foi feito rumo a um acordo completo e final com representantes do Irã, concordamos mutuamente que, embora o bloqueio permaneça em pleno vigor, o Projeto Liberdade (a movimentação de navios pelo Estreito de Ormuz) será pausado por um curto período, para ver se o acordo pode ou não ser finalizado e assinado”, escreveu Trump.
A publicação do mandatário americano vem horas depois de o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, declarar, em entrevista coletiva na Casa Branca, que a operação dos EUA contra o Irã iniciada em fevereiro chegou ao fim. De acordo com Rubio, a prioridade dos Estados Unidos passou a ser justamente a reabertura do Estreito de Ormuz.
Bloqueio segue, mas escolta de navios é suspensa
Conforme Trump esclareceu em seu post, a pausa atinge apenas o trabalho de condução de navios mercantes pela rota estratégica, e não o cerco naval imposto pelos Estados Unidos a portos iranianos – um dos pontos centrais de impasse nas tratativas de paz.
A guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã está em um tenso cessar-fogo desde 7 de abril. Dois pontos travam um acordo definitivo neste momento: a obstrução quase total do Estreito de Ormuz pelas forças iranianas e o bloqueio americano a embarcações que entram e saem de portos do Irã.
O “Projeto Liberdade” havia sido lançado nesta semana pelo Comando Central dos Estados Unidos (Centcom). De acordo com nota divulgada na ocasião pelas forças americanas, a missão envolvia destróieres de mísseis guiados, mais de cem aeronaves do Exército e da Marinha, plataformas não tripuladas multidomínio e 15 mil militares, com o objetivo declarado de “restabelecer a liberdade de navegação para o transporte marítimo comercial” na região. Sob o projeto, as forças americanas estavam escoltando navios na travessia da rota.
Na coletiva da Casa Branca, Rubio afirmou que a chamada “Operação Fúria Épica” foi encerrada e classificou as ações americanas durante o cessar-fogo em vigor – incluindo o abate de múltiplos barcos iranianos, na segunda-feira – como uma “operação defensiva”. O secretário também defendeu o uso de sanções e do bloqueio marítimo ao Irã como medidas necessárias para proteger o comércio global e o tráfego civil.
Segundo Rubio, o controle iraniano sobre o Ormuz não pode ser normalizado. Ele criticou Teerã por obstruir a passagem e tentar forçar outras nações a pagar pelo trânsito pela via. Aproveitando a viagem do chanceler iraniano, Abbas Araghchi, a Pequim, o secretário pediu que a China transmita ao Irã que a continuidade das hostilidades levará o país a um “isolamento global”.
Mais cedo, Trump não descartou retomar a campanha de bombardeios contra o Irã, caso julgue necessário. O presidente minimizou os efeitos do conflito sobre os consumidores americanos e classificou a alta dos preços do petróleo como um “preço pequeno a pagar” para eliminar os esforços iranianos de obtenção de uma arma nuclear.
O republicano também afirmou que “ninguém” desafiará o bloqueio americano a navios que entram e saem de portos iranianos e disse esperar pelo colapso do sistema financeiro de Teerã.
“Eles não se importam que o povo esteja sofrendo”, diz Rubio
Questionado sobre o que poderia levar o Irã a abandonar de fato suas ambições nucleares, Rubio afirmou que a resistência do regime à pressão americana se explica menos pela capacidade de absorver os efeitos das sanções e mais pelo descaso da liderança em relação à população. De acordo com o secretário, há uma diferença entre “conseguir suportar a pressão” e “simplesmente não se importar” com o povo.
Rubio reconheceu que existem autoridades eleitas dentro do regime iraniano que demonstram mais preocupação com o sofrimento da população, mas afirmou que outros setores – como os clérigos e integrantes do Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) – são “mais imunes” a esse tipo de pressão.
Nesta semana, o Irã anunciou um novo mecanismo para regular o tráfego marítimo no Estreito de Ormuz, segundo informações da emissora estatal Press TV. A Marinha da Guarda Revolucionária voltou a alertar que qualquer navio que tente atravessar a região poderá ser alvo de “ação decisiva”.
















