O Plenário da Câmara dos Deputados se prepara para uma semana legislativa intensa, com a possível votação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 18/25, conhecida como PEC da segurança pública, agendada para esta segunda-feira, a partir das 18 horas. A proposta visa à criação do Sistema Único de Segurança Pública (Susp), um marco importante para a integração das forças de segurança da União e dos estados no combate ao crime organizado. Além da matéria principal, diversas outras propostas significativas, abrangendo temas como direitos das mulheres, economia, proteção ao consumidor e novas tipificações penais, também estão na pauta e prometem movimentar os debates entre os parlamentares ao longo dos próximos dias.
A PEC da segurança pública e a integração nacional
A PEC 18/25, que pode ser votada na Câmara dos Deputados nesta semana, é uma das pautas mais aguardadas e com potencial de grande impacto na estrutura de segurança do país. O objetivo central da proposta é estabelecer o Sistema Único de Segurança Pública (Susp), um mecanismo que busca integrar e otimizar a atuação de todas as esferas de governo – federal e estadual – na formulação e execução de políticas de combate à criminalidade, especialmente ao crime organizado.
Detalhes da proposta e seus impactos
A matéria teve um substitutivo apresentado pelo deputado Mendonça Filho (União-PE) no final do ano passado, o que reflete as diversas discussões e ajustes que o texto tem recebido para contemplar as complexidades do sistema de segurança nacional. O Susp, ao coordenar as ações entre diferentes forças policiais e órgãos de inteligência, tem a pretensão de padronizar procedimentos, compartilhar informações e recursos, e, em última instância, aumentar a efetividade no enfrentamento a desafios como o tráfico de drogas, roubos de cargas e outras formas de criminalidade organizada que transcendem as fronteiras estaduais. A comissão especial que analisa o tema tem uma reunião marcada para a quarta-feira, um passo crucial antes de sua eventual apreciação pelo Plenário. A votação da PEC da segurança pública foi anunciada pelo presidente da Câmara, deputado Hugo Motta (Republicanos-PB), indicando a prioridade da matéria.
Novas tipificações penais: combate ao desaparecimento e gerontocídio
Na área de segurança e direito penal, os deputados também estão prontos para analisar duas propostas que visam preencher lacunas legislativas importantes e reforçar a proteção a grupos vulneráveis. Uma delas é o Projeto de Lei (PL) 6240/13, oriundo do Senado, que busca tipificar o desaparecimento forçado no Código Penal.
Proteção contra crimes específicos
A tipificação do desaparecimento forçado é um avanço significativo, pois estabelece uma definição clara para atos de detenção ilegal ou sequestro por agentes do Estado ou com sua aquiescência, onde a pessoa é posteriormente negada como detida ou seu paradeiro é ocultado. A inclusão desse crime na Lei dos Crimes Hediondos aumentaria a severidade das penas e restringiria benefícios como anistia e graça. Outra proposta relevante é o PL 4716/25, apresentado pelo deputado Castro Neto (PSD-PI), que cria o crime de gerontocídio – um homicídio motivado especificamente pela idade da vítima. Este projeto também ajusta agravantes nos crimes de homicídio e lesão corporal, buscando oferecer uma proteção legal mais robusta aos idosos, reconhecendo a vulnerabilidade específica desse grupo e punindo atos de violência que têm a idade como motivação.
Economia e proteção ao consumidor
A pauta da semana não se restringe à segurança e ao direito penal, abrangendo também propostas de grande relevância para o setor econômico e os direitos dos consumidores. Um dos itens em destaque é o Projeto de Lei Complementar (PLP) 281/19, de iniciativa do Poder Executivo.
Regimes de socorro bancário e regulamentação de produtos
O PLP 281/19 propõe a criação de novos regimes para socorrer instituições financeiras em dificuldade, visando garantir a estabilidade do sistema bancário e proteger os correntistas e investidores. O projeto prevê, entre outras medidas, a instituição de fundos específicos para fornecer liquidez ao sistema em momentos de crise e a concessão de empréstimos a instituições que enfrentam problemas. No campo do consumo, os parlamentares podem votar o PL 2158/23, do Senado, que autoriza a comercialização de medicamentos em farmácias ou drogarias instaladas dentro de supermercados. Para que essa votação ocorra, é necessário, primeiramente, a aprovação de um requerimento de urgência. Além disso, está em análise o PL 10556/18, da deputada Tereza Cristina (PP-MS), que define regras claras para o uso da palavra “leite” em embalagens e rótulos de alimentos. O objetivo é evitar a confusão do consumidor e garantir a autenticidade dos produtos lácteos no mercado, combatendo a fraude e a desinformação.
Avanços nos direitos das mulheres
A semana legislativa também reserva espaço para importantes discussões sobre os direitos e a proteção das mulheres, com a análise de propostas cruciais para o enfrentamento da violência de gênero. Conforme anunciado pela deputada Laura Carneiro (PSD-RJ), o Plenário deve debater o Projeto de Lei (PL) 3880/24.
Combate à violência vicária e protocolo de estupro
O PL 3880/24 busca incluir a violência vicária nas definições de violência doméstica e familiar previstas na Lei Maria da Penha. A violência vicária ocorre de forma indireta, quando o agressor atinge uma mulher ao causar dano a pessoas próximas a ela, como filhos ou outros familiares, com a intenção de provocar sofrimento e controle. Essa tipificação é fundamental para ampliar o escopo de proteção da lei e reconhecer uma forma cruel e manipuladora de abuso. Outra proposta relevante em pauta é o PL 2525/24, de autoria da deputada Coronel Fernanda (PL-MT), que institui um protocolo penal detalhado para a atuação das autoridades em casos de estupro. Este protocolo visa padronizar e otimizar o atendimento às vítimas, garantindo prazos claros para as investigações, medidas de acolhimento e proteção, e procedimentos adequados para a preservação de provas, assegurando que as mulheres recebam suporte integral e que a justiça seja efetiva.
Outras matérias em destaque na agenda
Além das propostas de grande repercussão, a pauta do Plenário inclui uma série de outros projetos de lei que abordam temas variados, desde o apoio à exportação até a valorização da cultura regional e a reestruturação de órgãos do sistema de justiça.
Crédito à exportação e cultura regional
Entre eles, destaca-se o PL 6139/23, de origem senatorial, que estabelece o sistema brasileiro de apoio oficial ao crédito à exportação, visando fortalecer o comércio exterior do país e dar suporte às empresas exportadoras. Na esfera cultural, o PL 4254/25, do deputado Túlio Gadêlha (Rede-PE), busca o reconhecimento da Poesia do Pajeú, uma rica manifestação cultural de Pernambuco, como patrimônio da cultura nacional, valorizando as tradições e artistas locais.
Reorganização do Ministério Público e CNJ
Duas propostas provenientes do sistema de justiça também estão na agenda: o PL 3879/24, do Ministério Público Federal, que propõe alterações na lei das carreiras dos servidores do Ministério Público da União e do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP), e o PL 5490/25, do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que cria cargos efetivos, cargos em comissão e funções comissionadas no quadro de pessoal do CNJ. Complementando, o PL 591/26, também do CNJ, visa criar, no âmbito do próprio conselho, o Departamento de Monitoramento e Fiscalização das Decisões dos Sistemas Internacionais de Direitos Humanos, fortalecendo a supervisão e o cumprimento de acordos internacionais.
Requerimentos de urgência em análise
Antes que muitas das propostas mencionadas possam ser votadas diretamente em Plenário, os deputados precisarão analisar requerimentos para que tramitem em regime de urgência. Além do projeto que trata da venda de medicamentos em supermercados, dois outros requerimentos importantes serão debatidos. O PL 2951/24, vindo do Senado, propõe mudanças nas regras do seguro rural, um tema de grande interesse para o agronegócio e a proteção dos produtores contra riscos climáticos e econômicos. Já o PL 5764/25, apresentado por diversos deputados, busca ampliar a transparência de gastos públicos e coibir o uso indevido de sigilo em informações governamentais, reforçando a fiscalização e a responsabilidade na gestão dos recursos públicos. A aprovação dessas urgências é fundamental para acelerar a tramitação das matérias consideradas prioritárias.
A semana na Câmara dos Deputados se desenha como um período de intensas discussões e votações que podem moldar importantes aspectos da vida nacional. Desde a fundamental PEC da segurança pública, que visa a uma maior integração no combate ao crime, até propostas que reforçam os direitos das mulheres, protegem o consumidor e reestruturam órgãos de justiça, a agenda reflete a diversidade e a relevância dos temas em debate. O desfecho dessas votações terá impacto direto na legislação brasileira e, consequentemente, na sociedade. A expectativa é de debates acalorados e decisões que definirão os rumos de políticas públicas essenciais.
Perguntas frequentes
O que é a PEC da segurança pública (PEC 18/25)?
A PEC 18/25 é uma Proposta de Emenda à Constituição que visa criar o Sistema Único de Segurança Pública (Susp). Este sistema tem como objetivo integrar as ações e estratégias da União e dos estados no combate ao crime organizado, padronizando procedimentos e promovendo o compartilhamento de informações e recursos entre as forças de segurança.
O que significa “gerontocídio” e por que sua tipificação é importante?
Gerontocídio é o crime de homicídio motivado especificamente pela idade da vítima, ou seja, um assassinato direcionado a uma pessoa idosa por conta de sua condição etária. Sua tipificação é importante para reconhecer a vulnerabilidade dos idosos e punir de forma mais rigorosa atos de violência que têm a idade como motivação, garantindo maior proteção legal a esse grupo.
O que é a violência vicária e como o PL 3880/24 busca combatê-la?
A violência vicária é uma forma de violência psicológica e moral em que o agressor, para atingir uma mulher, causa dano ou sofrimento a pessoas próximas a ela, como filhos, pais ou outros familiares. O PL 3880/24 busca incluir essa modalidade de violência nas definições da Lei Maria da Penha, permitindo que as vítimas de violência vicária tenham acesso às medidas protetivas e sanções previstas na lei, ampliando a proteção contra a violência de gênero.
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Fonte: https://mspolitica.com













