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Vacinas da dengue: quem pode tomar, doses e efeitos colaterais

Tua Saúde

A dengue, uma doença transmitida pelo mosquito Aedes aegypti, representa um sério desafio de saúde pública em diversas regiões do Brasil e do mundo. Com a capacidade de causar desde sintomas leves até formas graves, como a dengue hemorrágica, a busca por métodos eficazes de prevenção é constante. Nesse cenário, as vacinas da dengue surgem como uma ferramenta revolucionária, oferecendo proteção significativa contra os quatro sorotipos do vírus. Compreender quem pode se beneficiar desses imunizantes, como funcionam, seus esquemas de dosagem e possíveis efeitos é fundamental para uma adesão consciente e estratégica. Este artigo detalha as informações essenciais sobre as vacinas disponíveis, seus perfis de segurança e as recomendações de uso.

Quem pode tomar a vacina da dengue e como funciona

Dois imunizantes no combate à dengue

Atualmente, duas vacinas contra a dengue foram aprovadas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) no Brasil: a Dengvaxia e a Qdenga. Ambas são desenvolvidas utilizando a avançada técnica de DNA recombinante e oferecem proteção contra os sorotipos 1, 2, 3 e 4 do vírus da dengue. No entanto, suas indicações e perfis de uso apresentam distinções importantes.

A vacina Qdenga, por exemplo, é mais abrangente, sendo indicada para indivíduos de 4 a 60 anos, independentemente de terem tido dengue previamente. Ela está disponível gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS) para a faixa etária de 10 a 14 anos, e também pode ser encontrada em clínicas particulares para o público mais amplo. Por outro lado, a Dengvaxia possui uma indicação mais restrita: é recomendada para pessoas de 6 a 45 anos que já tiveram pelo menos um dos sorotipos da dengue, com a infecção confirmada por testes laboratoriais. Sua disponibilidade é exclusiva para clínicas particulares, e a comprovação da infecção anterior é um pré-requisito para sua aplicação.

É importante notar que, para a vacina Qdenga, a realização de exames laboratoriais prévios para verificar a exposição anterior à dengue não é uma exigência. Contudo, indivíduos que contraíram a doença recentemente devem consultar um médico, pois pode ser necessário aguardar alguns meses antes de receber o imunizante, a fim de garantir a máxima eficácia e segurança da vacinação.

Ação das vacinas no organismo

O funcionamento das vacinas da dengue baseia-se na estimulação do sistema imunológico. Ambas, Dengvaxia e Qdenga, são produzidas a partir de vírus atenuados, ou seja, versões enfraquecidas dos sorotipos 1, 2, 3 e 4 do vírus da dengue. Ao serem aplicadas, essas vacinas introduzem o vírus atenuado no organismo, que é capaz de ativar uma resposta imune sem, no entanto, causar o desenvolvimento completo da doença, devido à sua atividade diminuída.

O sistema imunológico, ao entrar em contato com esses vírus enfraquecidos, é estimulado a produzir anticorpos e células de memória específicas contra os sorotipos da dengue. Dessa forma, caso o indivíduo seja exposto ao vírus selvagem no futuro, seu corpo já estará preparado para combater a infecção de forma mais rápida e eficaz. Essa resposta imune acelerada e robusta tem como objetivo principal prevenir a infecção ou, pelo menos, reduzir significativamente a probabilidade de desenvolver as formas graves da doença, como a dengue hemorrágica.

Esquema vacinal e acesso aos imunizantes

Dengvaxia: indicações e posologia

A vacina Dengvaxia segue um esquema de três doses, com intervalos de seis meses entre cada uma. A primeira dose é aplicada em uma data definida pelo médico; a segunda, seis meses após a primeira; e a terceira, seis meses depois da segunda. Este regime de imunização é rigorosamente destinado a pessoas na faixa etária de 6 a 45 anos que já tiveram infecção por dengue confirmada laboratorialmente. É crucial ressaltar que a eficácia da Dengvaxia é otimizada em indivíduos soropositivos, ou seja, que já tiveram contato prévio com o vírus.

Qdenga: abrangência e esquema de doses

Diferentemente da Dengvaxia, a vacina Qdenga tem um esquema de duas doses, aplicadas com um intervalo de três meses entre elas. A primeira dose é administrada na data escolhida pelo profissional de saúde, e a segunda, três meses após. Esta vacina é indicada para um público mais amplo, que abrange pessoas de 4 a 60 anos de idade, e não exige comprovação de infecção anterior pela dengue, sendo eficaz tanto para quem já teve a doença quanto para quem nunca foi exposto. A flexibilidade da Qdenga a torna uma opção mais acessível para a prevenção em massa, alinhando-se às estratégias de saúde pública para controle da doença.

Ambas as vacinas devem ser preparadas e aplicadas por via subcutânea, geralmente no braço, por um profissional de saúde qualificado, como médico ou enfermeiro. A correta administração é essencial para garantir a segurança e a eficácia do processo de imunização.

Onde encontrar as vacinas

A disponibilidade das vacinas varia. A Qdenga é a única vacina da dengue atualmente oferecida gratuitamente pelo SUS, mas com foco específico em indivíduos de 10 a 14 anos, em postos de saúde designados. Para outras faixas etárias dentro da sua indicação (4 a 60 anos), a Qdenga pode ser adquirida e aplicada em clínicas particulares. Já a Dengvaxia está disponível exclusivamente em clínicas particulares. Devido à sua indicação específica, é necessário apresentar um exame de sorologia positivo para dengue, comprovando infecção anterior, antes da aplicação da Dengvaxia.

Possíveis reações e contraindicações

Efeitos colaterais comuns e atenção a reações graves

Como qualquer vacina, os imunizantes contra a dengue podem causar efeitos colaterais, que são geralmente leves e temporários. Entre os mais comuns, incluem-se dor de cabeça, dor no corpo, mal-estar geral, fraqueza, febre e reações no local da injeção, como vermelhidão, coceira, inchaço e dor. Outras manifestações possíveis são infecções do trato respiratório superior, perda do apetite, irritabilidade, sonolência, náuseas, vômitos, tontura, inchaço de gânglios linfáticos próximos ao local da injeção, dor de garganta e sintomas semelhantes aos da gripe, como nariz escorrendo ou entupido e tosse.

Embora raras, reações alérgicas graves (anafilaxia) podem ocorrer logo após a injeção, com sintomas como dificuldade para respirar, sensação de garganta fechada, inchaço na boca, língua ou rosto, e/ou lesões avermelhadas e inchadas na pele. Por isso, a aplicação das vacinas deve ser sempre realizada por um profissional de saúde em ambiente adequado, garantindo que os primeiros socorros possam ser prestados imediatamente, caso necessário.

Casos em que a vacinação é desaconselhada

Existem condições específicas sob as quais a vacinação contra a dengue é contraindicada para garantir a segurança do indivíduo. A vacina não deve ser administrada em casos de gravidez (suspeita ou confirmada) e durante o período de amamentação. Pessoas com alergia conhecida a qualquer componente da vacina, aquelas com febre moderada a alta, ou que estejam com doenças agudas, também não devem ser vacinadas até que sua condição melhore.

Além disso, a vacinação é desaconselhada para indivíduos que fazem uso de corticoides sistêmicos em doses elevadas, estão em tratamento com quimioterapia ou radioterapia, possuem leucemia ou linfoma, ou são soropositivos para HIV com sintomas ou com o sistema imunológico enfraquecido, conforme exames de sangue. Mulheres que planejam engravidar devem aguardar pelo menos um mês após a administração da vacina da dengue antes de tentar a concepção.

Especificamente, a vacina Dengvaxia não é indicada para menores de 6 anos e maiores de 45 anos, pessoas que nunca tiveram dengue ou indivíduos com fenilcetonúria. Já a vacina Qdenga não deve ser usada em crianças menores de 4 anos e adultos acima de 60 anos.

Limitações para idosos e imunossuprimidos

Apesar de os idosos serem um grupo de risco para a dengue, a vacina Qdenga ainda não foi autorizada pela Anvisa para pessoas com mais de 60 anos. Esta restrição deve-se à ausência de estudos completos sobre a segurança e os efeitos colaterais nessa faixa etária específica. Como ambas as vacinas utilizam vírus atenuados (vírus vivo enfraquecido), elas também são contraindicadas para pessoas imunossuprimidas ou com o sistema imunológico enfraquecido, pois há um risco teórico de causarem uma infecção grave. Em situações excepcionais, se a vacinação for recomendada pelo médico para um paciente imunossuprimido, a apresentação de receita médica é obrigatória.

As vacinas da dengue representam um avanço significativo na luta contra essa doença endêmica. Conhecer suas indicações, esquemas e restrições é fundamental para que a população e os profissionais de saúde possam fazer escolhas informadas e seguras. A vacinação, combinada com medidas de controle do mosquito, é a estratégia mais eficaz para proteger a saúde pública.

Perguntas frequentes (FAQ)

Qual a diferença principal entre as vacinas Qdenga e Dengvaxia?
A principal diferença está na indicação: a Qdenga pode ser aplicada em pessoas de 4 a 60 anos, independentemente de terem tido dengue, e em duas doses. A Dengvaxia é para quem já teve dengue, na faixa etária de 6 a 45 anos, e requer três doses.

Quem já teve dengue pode tomar qualquer vacina?
Pessoas que já tiveram dengue podem tomar a vacina Qdenga sem a necessidade de exames prévios. Para a vacina Dengvaxia, a infecção anterior deve ser comprovada por exames laboratoriais. É sempre recomendado consultar um médico.

Por que pessoas com mais de 60 anos não podem tomar a vacina Qdenga?
Atualmente, a vacina Qdenga não é autorizada para pessoas com mais de 60 anos devido à falta de estudos conclusivos sobre a segurança e eficácia nessa faixa etária.

Mantenha-se informado e proteja-se contra a dengue consultando um profissional de saúde sobre a melhor opção de vacinação para você e sua família.

Fonte: https://www.tuasaude.com

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