Home / Politica / Motta defendeu decisões de Dias Toffoli no caso Master: relembre

Motta defendeu decisões de Dias Toffoli no caso Master: relembre

Foram publicados nesta terça-feira benefícios do presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), vindos de um relacionamento com o empresário Daniel Vorcaro. As investigações mostraram que uma viagem a Portugal ocorreu com as despesas pagas pelo então banqueiro, que também tomou providências para manter sigilosa a presença de políticos em uma reunião. Motta negou crimes e declarou que apoia investigações “imparciais”.

Motta não é investigado no caso Master, mas o político vem participando indiretamente do caso há meses, por meio de uma atuação que já foi considerada suspeita por um rival no parlamento, o senador Renan Calheiros (MDB-AL).

Janeiro de 2026

No dia 19 de janeiro, Calheiros declarou que Motta e seu padrinho político, Arthur Lira (PP-AL), teriam atuado dentro do Tribunal de Contas da União (TCU) para tentar reverter a liquidação do Banco Master, decretada pelo Banco Central (BC) em meio à Operação Compliance Zero.

Presidente da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE), Calheiros afirmou ter “informações” de que ambos os políticos pressionaram o TCU para adotar medidas que visassem reverter a liquidação do banco, o que acabou não acontecendo após acareação da PF. Motta não comentou.

Fevereiro de 2026

Em uma declaração de fevereiro de 2026, o presidente da Câmara saiu em defesa do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli. Relator das investigações do caso Master na Corte, Toffoli decretou sigilo total no processo, lacrou provas e viu-se envolvido em vazamentos que demonstraram o envolvimento de sua família com um resort no Paraná vinculado a Vorcaro. A enorme pressão acabou fazendo o STF fechar um acordo para redistribuir o processo.

“As decisões proferidas pelo antigo relator, ministro Dias Toffoli, atenderam a todos os pedidos que o Ministério Público e a Polícia Federal fizeram. Eu penso que houve um exagero por parte da mídia e, no geral, do papel que o ministro Toffoli cumpriu. (…) Talvez o afã de se querer sangue, de se querer atacar a conduta das pessoas acerca disso, na minha avaliação, às vezes se sobrepõe àquilo que é razoável de se fazer”, declarou Motta ao Metrópoles.

Março de 2026

Vorcaro é preso pela segunda vez. Já com a negociação de uma delação premiada em curso, Motta afirmou ter confiança nas investigações e isolou o assunto como uma pauta exclusiva da PF e do STF.

“Nós temos muita tranquilidade nas relações que estabelecemos. Essa (a delação) é uma pauta de que o Supremo Tribunal Federal, a Polícia Federal e o Ministério Público estão cuidando, estão investigando. Defendemos que a apuração seja feita com imparcialidade e cuidado para que seja uma apuração isenta, que é o que o povo brasileiro espera neste momento”, declarou Motta à rádio Solidária FM, citada pelo Jornal da Paraíba.

Maio de 2026

Novamente na CAE, Calheiros afirmou que Motta teria incluído um “jabuti” em um projeto de lei para permitir que fundos de previdência, todos com déficits enormes, pudessem aportar no Banco Master.

Motta apresentou emenda ao projeto de lei que criou o Sistema Brasileiro de Comércio e Emissões de Gases de Efeito Estufa (mercado regulado de créditos de carbono).

O texto obrigava seguradoras, entidades de previdência complementar e fundos de pensão a destinar no mínimo 1% de suas reservas técnicas anuais para a aquisição de créditos de carbono ou ativos ambientais.

Empresas ligadas a Henrique Mourão Vorcaro (pai de Daniel Vorcaro) atuam nesse segmento, como a Alliance Participações e outros veículos de créditos de carbono na Amazônia. A emenda foi aprovada na Câmara e no Senado, e a lei foi sancionada por Lula em dezembro de 2024.

Em troca, o Master teria emprestado a fundo perdido pelo menos R$ 22 milhões a Bianca Medeiros, cunhada de Motta, dinheiro supostamente usado para a compra de um terreno.

O presidente da Câmara mais uma vez respondeu dizendo que não intermediou o empréstimo e que “não responde por ações de terceiros”.

Junho de 2026    

Finalmente, nesta quarta-feira Motta admitiu ter viajado a Portugal às custas de Vorcaro. A viagem internacional teria sido um convite do senador Ciro Nogueira (PP-PI), para uma participação no evento Gilmarpalooza.

Deixe um Comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *