Tem algo profundamente brasileiro em se jogar numa festa junina sem saber nada. Sem saber dançar quadrilha, sem saber se aquela comida vai te matar na madrugada, sem saber se o figurino de caipira combina com você. E fazer de qualquer jeito. Com alegria, com barulho, com aquele sorriso de quem sabe que está improvisando mas decidiu que não importa.
Eu acho que a vida é assim. Um arraiá permanente.
A gente casa com quem não devia às vezes e às vezes dá certo. Come mais do que deveria, arrepende-se na hora e repete depois. Dança sem saber os passos, tropeça, ri, levanta e continua. Porque festa junina não tem certo ou errado. Tem presença. Tem a alegria de quem chegou, se jogou e decidiu que o milho vai grudar no dente mesmo, o quentão vai ser forte demais mesmo, e vai valer a pena mesmo assim.
A vida brasileira tem esse dom particular de transformar o improviso em tradição. A gente não planejou muita coisa, planejou menos ainda, e ainda assim chegou até aqui, com bandeirinha colorida, forró tocando e o coração quentinho.
Então que seja. Que a vida continue sendo esse arraiá maluco, barulhento e cheio de surpresas. Eu prefiro dançar torto aqui do que ficar sentado esperando a música perfeita para começar.
@enricopierroofc
‘Arraiá da vida’















