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Empresário é preso nos EUA por transferir tecnologia para o Irã

Autoridades dos Estados Unidos anunciaram nesta quarta-feira (3) a prisão de Jamshid Ghomi, empresário de dupla nacionalidade americana e iraniana acusado de violar sanções contra o Irã ao fornecer equipamentos de tecnologia dos EUA a entidades ligadas ao programa nuclear e militar do regime islâmico iraniano. Segundo o Departamento de Justiça americano, Ghomi é fundador e CEO da Faraz Pardaz Rayaneh Co. Ltd., empresa de redes de computadores sediada em Teerã.

De acordo com o Departamento de Justiça, Ghomi foi preso na Califórnia e acusado em nível federal de conspiração para violar a Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional, conhecida pela sigla em inglês IEEPA. A legislação sustenta parte das atuais sanções americanas contra o Irã e proíbe o envio de determinados produtos e tecnologias ao país sem autorização do governo dos EUA.

Segundo as autoridades americanas, Ghomi teria adquirido equipamentos sofisticados de rede, segurança e criptografia de origem americana para clientes iranianos, entre eles a Organização de Energia Atômica do Irã e entidades militares sancionadas por Washington.

“Ghomi enriqueceu fornecendo tecnologia dos EUA à Organização de Energia Atômica do Irã e a outras entidades sancionadas responsáveis pelo programa nuclear iraniano”, afirmou John A. Eisenberg, procurador-geral adjunto para Segurança Nacional dos EUA.

O Departamento de Justiça disse que por mais de uma década Ghomi usou sua empresa em Teerã para comprar equipamentos americanos de rede sem autorização do Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros do Departamento do Tesouro dos EUA, órgão responsável por aplicar sanções econômicas.

De acordo com a denúncia, entre 2011 e 2015, Ghomi usou contas próprias nas plataformas eBay e no PayPal para fazer mais de 400 compras de equipamentos de rede. Os produtos eram enviados a intermediários nos Emirados Árabes Unidos e, depois, remetidos ao Irã.

As autoridades também afirmam que, entre 2014 e 2018, o empresário organizou o envio clandestino de mais de 250 toneladas de equipamentos de rede ao território iraniano. Segundo o Departamento de Justiça, a operação usava empresas de fachada e agentes de transporte em Dubai para ocultar que o destino final dos produtos era o Irã.

Ainda conforme a acusação, Ghomi sabia que a operação era ilegal e tomou medidas para esconder sua participação nos esquemas. A denúncia afirma que ele orientou cúmplices nos Emirados Árabes Unidos a retirar seu nome dos documentos de transporte, omitir notas fiscais e, em pelo menos duas ocasiões, esconder equipamentos de origem americana dentro de cargas maiores.

O Departamento de Justiça diz que a Faraz Pardaz Rayaneh tinha vendas anuais superiores a US$ 10 milhões (R$ 50,7 milhões, na cotação mais recente) e atendia centenas de empresas e entidades governamentais iranianas, muitas delas submetidas a sanções dos EUA. Uma parte menor, mas considerada relevante pelas autoridades, teria sido destinada ao aparato nuclear e militar do regime.

Entre 2017 e 2023, segundo a denúncia, a empresa forneceu equipamentos americanos à Organização de Energia Atômica do Irã, agência responsável pelo programa nuclear do país, incluindo atividades ligadas a centrífugas e enriquecimento de urânio. A entidade foi sancionada pelo Departamento de Estado em 2020.

A denúncia também afirma que, entre 2014 e 2022, a empresa forneceu equipamentos de rede, segurança e criptografia ao Ministério da Defesa e Logística das Forças Armadas do Irã e a entidades militares e de eletrônica de defesa associadas ao órgão.

Segundo o Departamento de Justiça, Ghomi também é acusado de lavar mais de US$ 15 milhões (R$ 76 milhões) do Irã para contas bancárias nos Estados Unidos e para uma conta usada na construção de uma mansão em Newport Beach, na Califórnia. O órgão afirma que ele declarou falsamente esses recursos ao Fisco americano como herança estrangeira.

Procuradores americanos dizem que buscarão confiscar bens do empresário, incluindo a mansão que está avaliada em US$ 35 milhões (R$ 177 milhões) em Newport Beach. De acordo com a acusação, parte da construção do imóvel foi financiada com recursos vindos do esquema de violação de sanções. Ghomi deve comparecer à Justiça Federal dos EUA em Santa Ana, na Califórnia. Se condenado, poderá receber pena máxima de 20 anos de prisão.

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