A rejeição da indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, ao Supremo Tribunal Federal (STF), na quarta-feira (29), é o exemplo mais recente e didático do impacto que a eleição para o Senado Federal deste ano terá para a dinâmica do poder a partir de 2027 no Brasil. E nesta mesma semana, a Genial/Quaest divulgou pesquisas ao Senado nos estados com os maiores eleitorados do país e mostrou para onde as intenções de voto estão pendendo neste momento.
Nas eleições deste ano, 54 das 81 cadeiras do Senado estarão em disputa — são duas vagas por estado e mais o Distrito Federal. Ao barrar Messias na Suprema Corte, a oposição ao governo Lula (PT) inverteu uma maioria que era dada como favorável ao petista e injetou ânimo de que é possível alcançar dois terços da Câmara Alta, o que daria votos suficientes para impedir ministros do STF.
Os levantamentos da Genial/Quaest apontam que por enquanto há mais indefinições do que certezas sobre qual lado do campo político terá predominância no Senado no ano que vem. Nos oito estados com mais eleitores, há equilíbrio no todo, mas com alguns sinais para onde o pêndulo deve se mover.
Em São Paulo, ex-ministros de Lula vêm mostrando tração. Simone Tebet (MDB) é quem melhor pontuou, com Márcio França (PSB) e Marina Silva (Rede) próximos a ela. Do outro lado do jogo, Guilherme Derrite (PP) aparece entre eles com potencial de ficar com uma das cadeiras.
Derrite vem intensificando críticas ao governo federal e ao STF nos últimos meses. Deputado federal, ele classificou a rejeição a Messias como “uma grande derrota para o atual governo e uma grande vitória para o Brasil.”
Em Minas Gerais, a petista Marília Campos é o principal destaque na pesquisa da Genial/Quaest, à frente em dois cenários. A segunda vaga está indefinida, mas pende para pré-candidatos mais à direita, como Aécio Neves (PSDB), Marcelo Aro (PP), Domingos Sávio (PL) e Carlos Viana (PSD). No cenário sem Aécio, Viana melhora o desempenho e se aproxima de Marília Campos.
Carlos Viana é também uma das vozes mais críticas ao STF, especialmente após acusar a Suprema Corte de interferir nas atividades da CPMI do INSS, da qual ele é presidente. Sobre o resultado da votação de quarta-feira, falou que é “uma forma de dizer que o Senado Federal tem que ser altivo e que o Supremo Tribunal Federal não manda em tudo e que a política precisa ser feita com equilíbrio entre os poderes.”
Ainda no Sudeste, no Rio de Janeiro, a disputa está ainda mais acirrada. Cláudio Castro (PL) e Benedita da Silva (PT) se destacaram, mas há dois pré-candidatos da direita colados: Marcelo Crivella (Republicanos) e Felipe Curi (PL), ambos abertamente opositores do governo Lula.
Paraná dá vantagem à direita e Rio Grande do Sul está dividido
A pesquisa Genial/Quaest no Paraná apontou uma predominância de intenções de voto para pré-candidatos de direita e opositores ferozes ao governo Lula, como Deltan Dallagnol (Novo) e Filipe Barros (PL). Alvaro Dias (MDB) é o principal destaque na pesquisa e crítico, mesmo que mais discreto, do STF.
Alexandre Curi (Republicanos) completa a lista de frente da direita para o Senado no Paraná. A esquerda aposta as fichas em Gleisi Hoffmann (PT), mas no levantamento ela perde espaço.
A ex-ministra de Lula disse que foi uma “injustiça” a rejeição ao nome de Messias ao STF e que isso é resultado de um “grande acordão entre a oposição bolsonarista e outros com objetivos eleitoreiros e pessoais”. Dallagnol, por sua vez, classificou a rejeição como “um acontecimento histórico que mostra a força da pressão popular e deixa um recado claro de que o Brasil não quer mais politicagem na Suprema Corte.”
No Rio Grande do Sul, as duas cadeiras estão longe de estarem definidas, inclusive opondo claramente os espectros políticos. Enquanto Germano Rigotto (MDB) e Marcel Van Hattem (Novo) se posicionam entre os mais citados na pesquisa, Manuela D’Ávila (PSOL) e Paulo Pimenta (PT) também se colocam no mesmo espaço. Todos estão empatados dentro da margem de erro do levantamento.
Nordeste mostra resquício de força de Lula
Reduto tradicional do PT, a Bahia dá ampla vantagem à esquerda na disputa pelo Senado, de acordo com a pesquisa Genial/Quaest. Os ex-governadores Rui Costa (PT) e Jaques Wagner (PT) ainda gozam de popularidade e abrem vantagem para os demais pré-candidatos, como João Roma (PL) e Angelo Coronel (Republicanos). Entre os maiores estados, é onde o governo Lula tem, hoje, mais tranquilidade.
Não é o caso do Ceará, por exemplo, onde o levantamento mostra um cenário dividido. De um lado Cid Gomes (PSB) e de outro Capitão Wagner (União Brasil). O primeiro, aliás, foi um dos quatro senadores que não participaram da votação da indicação de Messias à Suprema Corte.
Em Pernambuco, a esquerda também consegue manter alguma vantagem com Marília Arraes (PDT), que é a mais citada na pesquisa. Ela, inclusive, falou da importância da disputa ao Senado após a derrota do governo Lula na quarta-feira.
“A rejeição de Messias ao STF nos ensina muito. O Senado não é detalhe. É onde se tomam as decisões mais importantes do país. Precisamos de um Senado que entenda o perigo que corre o Estado Democrático de Direito e alinhado com os interesses do povo brasileiro”, disse.
A segunda vaga em Pernambuco está indefinida e sendo disputada por Humberto Costa (PT), Miguel Coelho (União Brasil) e Mendonça Filho (PL). Armando Monteiro (Podemos) e Anderson Ferreira (PL) também se aproximam, tendendo a equilibrar o pleito.
Metodologias das pesquisas citadas
- Genial/Quaest Paraná 27/4/2026: A pesquisa ouviu 1.104 pessoas entre os dias 21 e 25 de abril. A margem de erro é de 3 pontos percentuais, para mais ou para menos. A pesquisa foi contratada pelo próprio instituto. O nível de confiança é de 95%. Registro no TSE nº PR-02588/2026.
- Genial/Quaest Rio de Janeiro 27/4/2026: 1.200 entrevistados pela Quaest entre os dias 21 e 25 de abril de 2026. A pesquisa foi contratada pelo Banco Genial S/A. Nível de confiança: 95%. Margem de erro: 3 pontos percentuais. Registro no TSE sob o nº RJ-00613/2026.
- Genial/Quaest Minas Gerais 28/4/2026: 1.482 entrevistados pela Quaest entre os dias 22 e 26 de abril de 2026. A pesquisa foi contratada pelo Banco Genial S/A. Nível de confiança: 95%. Margem de erro: 3 pontos percentuais. Registro no TSE sob o nº MG-08646/2026.
- Genial/Quaest Pernambuco 28/4/2026: A pesquisa Quaest entrevistou 900 pessoas entre os dias 22 e 26 de abril. A pesquisa foi contratada pelo Banco Genial S.A. A margem de erro é de 3 pontos percentuais, para mais ou para menos. O nível de confiança é de 95%. Registro no TSE nº PE-08904/2026.
- Genial/Quaest São Paulo 29/4/2026: A pesquisa ouviu 1.650 pessoas entre os dias 23 e 27 de abril. A margem de erro é de 2 pontos percentuais, para mais ou para menos. A pesquisa foi contratada pelo próprio instituto. O nível de confiança é de 95%. Registro no TSE nº SP-03583/2026.
- Genial/Quaest Bahia 29/4/2026: 1.200 entrevistados pela Quaest entre os dias 23 e 27 de abril de 2026. A pesquisa foi contratada pelo Banco Genial S/A. Nível de confiança: 95%. Margem de erro: 3 pontos percentuais. Registro no TSE sob o nº BA-03657/2026.
- Genial/Quaest Rio Grande do Sul 30/4/2026: 1.104 entrevistados pela Quaest entre os dias 24 e 28 de abril de 2026. A pesquisa foi contratada pelo Banco Genial S/A. Nível de confiança: 95%. Margem de erro: 3 pontos percentuais. Registro no TSE sob o nº RS-03000/2026.
- Genial/Quaest Ceará 30/4/2026: 1.002 entrevistados pela Quaest entre os dias 24 e 28 de abril de 2026. A pesquisa foi contratada pelo Banco Genial S/A. Nível de confiança: 95%. Margem de erro: 3 pontos percentuais. Registro no TSE sob o nº CE-01725/2026.


















