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Indígenas de Ñande Ru recebem saúde gratuita em MS

Ação social também inclui alimentação e recreação; serão três dias de atividades

Voluntários atendem 2,3 mil guarani-kaiowá com serviços de saúde
Mulher indígena é atendida no consultório odontológico móvel do Instituto (Foto: Divulgação/IAC-MS)

Os cerca de 2,3 mil indígenas que moram na TI (Terra Indígena) Ñande Ru Marangatu, em Antônio João, estão recebendo assistência médica, odontológica e social gratuita desde ontem (30). A ação é realizada pelo Instituto Amigos do Coração e se encerrará no sábado (2).

Cerca de 2,3 mil indígenas da Terra Indígena Ñande Ru Marangatu, em Antônio João, recebem assistência médica, odontológica e social gratuita do Instituto Amigos do Coração até sábado (2). A ação conta com voluntários que oferecem consultas, exames, próteses dentárias e distribuição de 500 cestas básicas e 3,5 mil roupas às 661 famílias locais.

Neste Dia do Trabalhador (1º), voluntários dão continuidade aos atendimentos dentro de carretas do instituto e em espaços na comunidade. Um só dia não seria suficiente, já que são várias as carências que os habitantes guarani-kaiowá têm.

O cenário é esse mesmo após terem conquistado o direito de viver na terra que é de ocupação ancestral, mas precisou ser comprada de um fazendeiro pelo Estado e pela União para garantir a posse indígena. O acordo foi firmado no fim de 2024, porém, ainda há entraves que impedem os moradores de trabalhar na TI.

Voluntários atendem 2,3 mil guarani-kaiowá com serviços de saúde
As 500 cestas básicas que foram doadas às famílias (Foto: Divulgação/IAC-MS)

Cirurgião-dentista e presidente do Instituto no Estado, Estevão Molica explica que a campanha é realizada com recursos arrecadados de voluntários e materiais doados por empresas sul-mato-grossenses e paulistas parceiras. O atendimento é completo. “Na área da odontologia, a gente não só extrai ou trata. A gente traz a prótese dentária e faz a reabilitação completa. É um serviço voluntário completo, igual nós fazemos com pacientes no dia a dia”, descreve.

Na área médica, a equipe realiza consultas, exames clínicos e distribui medicamentos. Além disso, 500 cestas básicas e 3,5 mil roupas foram doadas às 661 famílias presentes na TI. A equipe responsável pela cozinha também faz refeições para os atendidos e outra cuida da recreação das crianças. “Temos voluntários em todo o Brasil. A gente não faz caridade, nós doamos o tempo útil, tempo de vida, não damos sobra”, finaliza Estevão.

Ações anteriores – O vice-presidente do Instituto é o gestor Adriano Oliveira. Ele participa de ações no local e em outros no Estado desde que o Amigos do Coração foi fundado, há quase 15 anos.

Voluntários atendem 2,3 mil guarani-kaiowá com serviços de saúde
Estevão (sem toca) e Adriane (em pé, de camisa preta) entre os voluntários (Foto: Divulgação/IAC-MS)

Adriano explica que a Ñande Ru Marangatu começou a ser visitada há oito anos. “Na primeira vez, encontramos um índice de carência muito grande, de extrema vulnerabilidade. Vimos que isso foi ajudando a comunidade a se desenvolver ao longo dos anos”, relembra.

Um dos voluntários mais jovens é o advogado Guilherme Rocha. Ele está ajudando em demandas não relacionadas ao Direito, mas identificou que essa é uma das necessidades, hoje.

“Eles precisam de documentação e de vários serviços jurídicos, de orientação. A Defensoria Pública, que poderia auxiliá-los, fica em Ponta Porã”, relata. A distância de Ponta Porã até lá é de cerca de 60 km. Ele afirma que, futuramente, pretende ser voluntário para auxiliar os indígenas.

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